
Há dias em que acho que não faço nada, nem falta a nada nem a ninguém.
Repare-se: tirei um curso superior que neste momento me permite fazer uns trabalhitos pequenos, grandes não porque parece que não seria capaz. Quando pego em algo de maior escala,é uma dificuldade, não sei imensas coisas (de tanto não fazer até me esqueço de coisas simples).
Depois enveredei por outra área que também sempre me agradou. Mas aí também parece que nunca sei nada ou tenho dias em que acho que não dei nada de novo, e simplesmente me sinto a dar pérolas a porcos.
Noutras questões, há quase 3 anos sofri um grande "baque", desilusão que me leva até hoje a pensar que nada é certo e adquirido, e muitas vezes acho que de um momento para o outro tudo se vai esfumar. Embora esteja muito bem com a pessoa com quem vivo e partilho tudo, há noites que sonho com coisas que me atormentam. Acho que não conseguia passar por tudo de novo, não sem enlouquecer. Quando me dizem que pareço ter uns laivos de tristeza no olhar, devem ser essas coisas que me passam no pensamento. Amo-te mas tenho medo de te perder, é o que te respondo! Porque sou insegura e não tenho grande auto estima.
Os amigos, outro problema...com os anos percebemos que as pessoas não ligam se tu não ligas, acham que têm esse direito. É talvez o que mais magoa, seres sempre tu a ligar, a combinar almoços e raios que os partam...(Depois houve grande parte deles que eu sei que afastei, mas teve de ser para manter a minha sanidade mental.)
Acabas por ter 2 ou 3 amigos com quem falas mais, e pronto. Mas depois olho para o A, e vejo que saio muito mais com os amigos que ganhei aqui desde que nos conhecemos, que com aqueles que já tinha. E pensas, porra, o problema devo ser eu!
Depois tens planos, pensas que as coisas se desenvolvem assim e assado, e casas porque gostavas da festa e queres ter filhos e já estás com 33 anos e há entraves. E ficas à espera que se "desentravem", ao mesmo tempo que vês outras pessoas a viver esses momentos e tu tens de sorrir e dizer parabéns sentido uma inveja maluca que tem de ser silenciosa. Tipo uma amiga que te conta, feliz da vida: "Olha estou grávida" e tu não consegues ter mais que um sorriso amarelo e um sentimento horrível, parece que o choro se entala na garganta.
Portanto, parece-me muitas vezes que estou sentadinha num sofá a ver um filme. Por acaso participo no filme, mas nem deixo cá grandes marcas.
E aqui fica o desabafo, nada a ver com alimentação. Tem a ver comigo. E este blogue também sou eu, a rapariga com ar de fortaleza inabalável, que supera tudo e anda sempre bem disposta.
Mas há dias assim...